domingo, 8 de maio de 2011

Carta ao Tempo - Marjory Tolentino


Ao passado... Em primeiro lugar meus pêsames, sinto muito! Tenho muito que agradecer a ele, sem o qual eu jamais seria que eu sou. Foi com ele que aprendi, a amar, chorar, sorrir, enfim ser feliz. Porque, se não sabemos o que é sofrer, seremos incapazes de sabermos o que é a felicidade.
Lembra quando eu dizia que queria que o futuro chegasse logo? Pois bem, ESQUECE! Sinto falta de você. De quando brincava de fazer bolhas de sabão, de boneca velha, de subir no pé de jabuticaba (que já não mais existe) e se empanturrar até passar mal. Ah! Quantas vezes eu fui injusta com você... Muitas vezes me alertou que estava quase no fim, mas eu não dei ouvido. Achei que sabia tudo e na verdade eu ainda não entendia nada. Mas não posso dizer que não valeu à pena. Tudo foi muito lindo. E a saudade que sinto é de poder viver tudo de novo, e ao contrário da maioria não queria você de volta para reviver com a sapiência que possuo, queria revive-lo com a inocência de antes, senão perderia a graça...

Ao presente... Não sei exatamente o que dizer. As coisas vão bem por hora. Não tenho muitas certezas, mas as dúvidas, as poucas duvidas que possuo, não me incomodam tanto. Não sou solitária, não sou infeliz, pelo menos não estou infeliz. Amo meus amores. E me sinto viva a cada inspiração e expiração dada. A juventude ainda é minha companheira, mas sei que logo, logo ela vai partir e sua irmã a maturidade chegará, espero recebê-la com muitas pompas. Afinal só a conhecerei uma única vez em toda a vida e por muito pouco tempo, porque logo depois que a maturidade partir, minha ultima amiga a velhice chegará e me dizem que esta não é nada fácil de aturar. Mas será bem vinda assim mesmo e como Tratei a infância com certa indiferença, valorizei demais a adolescência, não aproveitei por completo a juventude, espero ter a sabedoria para dosar o viver na maturidade e velhice. Ah! Sim! Mas é do presente que estamos falando! Agora estou fazendo o que mais gosto, amando, vivendo em família, beijando muito meus filhos, enfim vivendo...

Ao futuro... Não tenho palavras. O único pedido (e espero que seja aceito) é que ele venha. Sem pressa, sem afobamento, mas que venha. Por favor, venha! Não me importa se vai ser bom ou ruim, porque isso quem vai decidir serei eu mesma e estou muito propensa a achar que tudo será muito bom. Afinal somente eu mesmo posso me fazer infeliz, ou deixar que me façam infeliz.
Como não estou nem um pouco a fim de deixar isso acontecer... Quero poder deixar um legado em que todos aproveitem dos frutos que plantei. Deixarei algo que vai realmente fazer a diferença para aqueles que quiserem e estiverem realmente abertos a entender. Deixarei as palavras! As minhas palavras. Palavras que nunca falei a ninguém, palavras que muitas vezes engoli e as calei, sufocando sentimentos. No futuro irão me conhecer de fato. Você que tem duvidas a meu respeito se sobreviver ao presente saberá quem sou. E quando chegar o fim de todas as coisas, espero ter calma, inteligência e coragem suficientes para levar numa boa o fato de que o meu tempo já passou e é hora de novas coisas, novas experiências, novas pessoas e eu já não pertenço mais a este tempo. Ai sim meu amigo passado me encontrarei com você e mataremos todas as saudades que temos um do outro. Só peço a você futuro que me ajude a tornar minhas palavras fáceis, espero que elas acalentem os corações de quem perdeu as esperanças, quero que meu exemplo ajude as pessoas que amo a viverem melhor. Aos que deixo um aviso, (não é um conselho) Vivam intensamente, sem ferir os outros, sem ferirem a si mesmos. Vivam respeitosamente e não se preocupem com coisas que não tenha solução ou não valham à pena. Não existe ditado mais correto que este: “O que não tem solução, solucionado esta.” Assim quando eu for me encontrar com o passado, tenha a certeza que nada foi em vão.  E que cumpri o meu destino o melhor que pude...



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